Arquivo do mês: outubro 2015

Biografia

Cresci ouvindo Roberto Carlos.

Eram dezenas de discos, descarregados um a um na (hoje) antiga vitrola. Quando acabava o Lado A, minha mãe virava aquele punhado de discos e lá se ia o Lado B de todos.

Era o ritual do final de semana, que incluía o clube, as brincadeiras debaixo do bloco e pela quadra inteira, o almoço caprichado e o macarrão no domingo.

Passei a meninice ouvindo Nossa Canção.
Meu pai cantava essa música pra minha mãe sempre que viajava a serviço e antes.

Ele morava em Pirassununga, na Vila Militar da Base Aérea e trabalhava com um Tio meu, na Aeronáutica.

Minha mãe, numa das viagens pra visitar a irmã, conheceu aquele sujeito galanteador e boêmio, que vivia cantando e lhe fazendo serenatas.

Começaram a namorar, apesar da distância, já que ela morava em Goiânia.

Depois disso, foi tudo muito rápido. O tempo entre namoro, noivado e casamento durou menos que 30 encontros.

E, para coroar um amor que seria pra sempre, casaram-se no dia do aniversário do meu pai – em 12 de julho de 1968.

Assim, minha mãe se mudou para Pirassununga, onde um ano e meio após o casamento, nasceu Ricardo – meu irmão lindo e loiro.

Os três foram para o Rio de Janeiro, onde quase nasci.

Mas quisera o destino que eu nascesse em Salvador, Itapuã – onde ficava o Hospital da Base Aérea.

De Salvador pra Brasília passaram-se quase 4 anos, o suficiente pra eu ter, durante toda a infância, um sotaque baiano pra lá de carregado e uma velocidade impressionante na fala – o que me rendeu o apelido de “baiana louca” na infância na quadra da minha infância, a 214 Sul.

Depois de quatro anos em Brasília, quase fomos pra Fernando de Noronha, mas não rolou.

Meu pai morreu antes de ser transferido.

E jamais pisei naquela ilha.

Enfim, talvez hoje eu fosse uma pessoa diferente.

E, ao falar dos meus pais, tios e irmão, monto minha biografia.

Porque sou a soma de várias pessoas, de várias influências, de diversos sentimentos.

Sou plural, porque nunca me contentei com o pouco singular.

E, assim, começo minha cronologia:
Nasce, sob o signo de peixes, numa carnavalesca madrugada de sábado, em Salvador – Bahia. Filha de Mãe professora e Pai militar (da aeronáutica). As combinações astrais resultaram no posterior romantismo da raiz dos cabelos até as unhas dos pés? Ou teria sido a influência familiar?

Fábula

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Conta uma antiga fábula que um camundongo vivia angustiado com medo do gato. Um mágico teve pena dele e o transformou em gato.
Mas aí ele ficou com medo de cão, por isso o mágico o transformou em cão.
Então ele começou a temer a pantera e o mágico o transformou em pantera.
Então ele começou a temer os caçadores. A essa altura o mágico desistiu.
Transformou-o em camundongo novamente e disse:
– Nada que eu faça por você vai ajudá-lo, porque você tem apenas a coragem de um camundongo. É preciso coragem para romper com o projeto que nos é imposto. Mas saiba que coragem não é a ausência do medo; é sim, a capacidade de avançar, apesar do medo; caminhar para frente e enfrentar as adversidades, vencendo os medos…

É isto que devemos fazer. Não podemos nos derrotar, nos entregar por causa dos medos. Assim, jamais chegaremos aos lugares que tanto almejamos em nossas vidas!

 

 

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